Dos medos

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Das faltas que tenho, uma delas é de não ter medo.
Não que eu tenha sido sempre uma pessoa corajosa. Pelo contrário! Quando criança eu tinha medo de sair correndo na rua de casa, que era uma ladeira, porque não queria cair e ralar os joelhos como acontecia com as outras crianças.
Depois eu comecei a ter medo de mudar qualquer coisa de lugar ou de fazer provas. Eu tremia, meu coração acelerava e eu ficava sem ar.
Ir aos parques de diversões com a escola era raríssimo, porque eu mal conseguia entrar na fila da montanha-russa e já começava a suar frio.
Não havia ninguém pra me dizer: “Ei, vai com medo mesmo. Vai dar tudo certo!”. Não tinha absolutamente ninguém. Era só eu e uma voz que dizia: “Se tem medo, não vai, não faz. Melhor ficar quieta”.
Com o tempo eu percebi que virei uma covarde. Que me acostumei a não fazer as coisas por medo de não conseguir ou de dar errado. Eu percebi que cresci sem ter ido numa montanha-russa. E que eu deveria ter corrido ladeira abaixo, para ter cicatrizes nos joelhos e uma boa história para contar.
Ninguém me falou que a vida, mais para frente, daria muito mais medo. Eu queria muito que alguém, em alguma parte da minha vida, tivesse olhado nos meus olhos medrosos e falasse: “Vai com medo mesmo, menina!”.
O medo me deu a falsa segurança de que vivi tudo certinho. Mas hoje eu percebi que ele me impediu de fazer coisas, de falar com pessoas, de ter histórias… Porque hoje eu tenho o maior medo de todos: o futuro. E ainda não tem ninguém para dizer: vai assim mesmo.

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