Limpando a casa

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Certa vez, depois de ter passado por uma tempestade na vida, ouvi uma coisa tão interessante que exatamente agora faz todo o sentido.
Ouvi de uma pessoa que eu mal conhecia que cada um de nós é uma casa e que é como cuidamos dela que faz com que a vida ande.

Fiquei pensando nisso nos últimos dias. Quando estamos com a casa cheia, a gente faz festa, como se nada pudesse no abalar. As pessoas entram, comemoram, sentam no nosso sofá, deixam o copo plástico do refrigerante na nossa mesinha de centro… Mais tarde elas vão embora e o que fica é a bagunça, a sujeira. Isso se repete muitas vezes, por dias, por meses, anos.

A vida passa e a gente começa a se acostumar com a casa cheia, bagunçada e suja. De repente, as pessoas não conseguem mais entrar. A porta fica emperrada, as janelas já não permitem que o sol entre. O que era normal, começa a ficar confuso, triste e solitário. A gente pensa em agradar os convidados, sem se importar se a casa está organizada. E a verdade é que a gente só percebe isso quando ninguém mais consegue entrar… Quando a bagunça é tanta que não se acha nada na montoeira de coisas espalhadas.

Minha casa estava assim. Vazia e bagunçada. Eu já não sabia mais quem estava lá dentro e quem precisa sair. A vida parecia não andar.

Confesso que depois de um tropeço ou outro foi que eu percebi que precisava limpar minha casa. E não foi tão fácil assim. Eu precisei me livrar do comodismo e ficar completamente sozinha.

Tive de visualizar a casa completamente e chorar por ter deixado chegar naquele ponto. Chorei por cada canto dela, mas eu fiz o que precisava fazer.

Eu posso ter deixado alguém para trás, pode ter doído precisar jogar fora algumas coisas, abandonar outras, permitir que muita coisa vá embora. Mas eu precisava ficar sozinha, separar o que sairia e o que ficaria. Afinal, como vou apresentar minha casa à alguém do jeito que ela estava? Quem iria querer ficar com essa casa assim, se nem eu mesma conseguia andar por ela?

Não faz muito tempo que eu comecei a faxina, mas eu já senti o quentinho do sol entrar por uma fresta na janela e aquecer parte do meu corpo, antes anestesiado. Uma coisa boa que nasceu no meio do cansaço da limpeza. Como se novos sonhos, novas esperanças e planos começasse a entrar pela fresta, junto do sol.

E e eu continuo aqui, sentada no chão da sala e de mangas arregaçadas. Vez ou outra uma lágrima escorre dos meus olhos, mas já me disseram que faz parte do processo da limpeza.

A solidão tem me feito bem e, enquanto eu limpo, encontro mais caminhos. Um dia, quem sabe, eu não abra de novo a porta de casa e te convide para um café.

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